Como se faz uma onda
Toda lagoa do banco usa um destes sistemas de onda viajante— a onda que se desloca e o surfista acompanha, como no mar. (Ondas estáticas de jato d'água são outra modalidade e ficam fora do escopo — ver metodologia.) Cada sistema resolve o mesmo problema físico de um jeito, e o jeito define a onda.
Como funciona. Dezenas de módulos eletromecânicos alinhados numa espinha central empurram a água para os dois lados da lagoa, disparando ondas em séries — direitas de um lado, esquerdas do outro. A configuração muda por software entre uma série e outra.
A onda que sai. Volume é a palavra: até ~1.000 ondas/hora nas maiores instalações, rides curtos (10–20 s) e cardápio amplo, da espuma de iniciante ao tubo. É a tecnologia mais vendida do mundo — quanto mais módulos, mais longa a onda (o teto atual são os 62 módulos do Beyond the Club, em São Paulo).
Como funciona. Câmaras pneumáticas enfileiradas numa borda sopram e sugam ar sobre a água, somando pulsos que viram ondulação — o formato da onda é desenhado por software, caisson a caisson, contra a batimetria do fundo.
A onda que sai. A aposta é o ride longo: o ES66 vendido para Itu promete até 40 segundos de parede. Sistemas ES32–ES48 operam de Munique à Arábia Saudita; a primeira lagoa de água salgada do mundo (ADRENA, Mar Vermelho) é Endless Surf.
Como funciona. Câmaras pneumáticas disparadas em sequências que imitam swell de mar: a marola só quebra ao encontrar o fundo esculpido da lagoa, como numa bancada de areia de verdade.
A onda que sai. É a onda preferida da alta performance para aéreos — rampas e seções de fechamento programáveis (Waco é o berço do gênero). Roda no Brasil (Boa Vista, São Paulo Surf Club), no Japão, na China — e a maior do mundo está em obra em Shima.
Como funciona. Um hidrofólio tracionado por cabo corre ao longo da lagoa arrastando um perfil submerso — a onda é literalmente puxada, uma por vez, num percurso de centenas de metros.
A onda que sai. A onda mais longa e mais perfeita do mercado — e a de menor volume: uma onda por vez, minutos de intervalo. É a tecnologia do Surf Ranch e do Surf Abu Dhabi, dono dos recordes de onda artificial mais longa do mundo.
Como funciona. Caissons pneumáticos com controle individual de pressão e vácuo, orquestrados por gêmeos digitais: cada onda é um arquivo, reproduzível à risca. O formato WaveBender, estreando em Alphaville, curva a frente de onda para alongar o ride.
A onda que sai. Precisão e variedade — do Palm Springs Surf Club (a piscina com mais câmeras ao vivo do mundo) ao Rif010 de Roterdã. No Brasil, é a tecnologia do Reserva Beach Club e dos projetos de João Pessoa e Sergipe.
Como funciona. Um êmbolo central gigante sobe e desce no meio da lagoa, gerando anéis concêntricos que quebram em cinco fundos diferentes ao mesmo tempo — cinco picos, cinco níveis, uma máquina.
A onda que sai. A maior capacidade teórica do setor (até 2.000 ondas/hora) e o maior abismo entre promessa e entrega: sete anos depois do protótipo de Yeppoon, nenhuma instalação comercial abriu. A primeira tentativa anunciada é Tampa, na Flórida.
Como funciona. Gerador pneumático nacional, com patente depositada, desenhado para tanques compactos e cobertos — a lagoa inteira cabe num galpão, com água aquecida e operação em qualquer estação.
A onda que sai. Onda viajante de até 1,8 m com rides de 10–16 s e 240 ondas/hora. Não disputa tamanho com as gigantes: disputa custo, constância e proximidade. É a tecnologia da primeira piscina de ondas coberta e aquecida do mundo, em Curitiba, e da rede Surf Center em expansão.
as artes desta página são assinaturas de onda geradas do comportamento de cada sistema — a mesma gramática visual das fichas