Praia da Grama
Itupeva · SP — a primeira Wavegarden Cove das Américas, dentro de um condomínio fechado

O veredito
Praia da Grama é o marco zero do surf de piscina no Brasil. Quando a lagoa entrou em operação, em 2021, o país deixou de ser espectador de vídeos de Espanha, País de Gales e Austrália e passou a ter, a pouco mais de uma hora de São Paulo, uma onda artificial de padrão internacional. O detalhe que define tudo: ela nasceu como amenidade de um empreendimento imobiliário de alto padrão, não como parque. A piscina não é o negócio — é o argumento de venda do lote.
Isso molda a experiência inteira. A lagoa é comparativamente pouco lotada, as sessões são organizadas para moradores e convidados, e o entorno tem lógica de clube, não de fila de parque aquático. Para quem consegue entrar, é provavelmente o ambiente mais confortável para surfar onda artificial no país. Para todo o resto, é uma onda que existe em vídeo e em relato de terceiros — e essa assimetria virou parte da identidade do lugar.
No contexto brasileiro, Praia da Grama estabeleceu o modelo que quase todos os projetos seguintes copiaram: onda como equipamento de condomínio, em cidades do interior paulista, vendida junto com a casa. Também provou algo prático que o mercado duvidava — que uma Cove opera bem no clima e na regulação brasileiros, com água e energia de interior de São Paulo. Sem esse precedente, boa parte da fila de projetos que veio depois teria mais dificuldade de sair do papel.
A onda
A Wavegarden Cove funciona por módulos alinhados numa parede central que empurram a água para os dois lados da lagoa, gerando ondas em séries — direitas de um lado, esquerdas do outro — em intervalos curtos e com volume alto de ondas por hora. O sistema troca de configuração por software, então a mesma lagoa entrega desde reforma de espuma perfilada, para quem está aprendendo a ficar em pé, até paredes com seção mais rápida e trechos tubulares para surfistas experientes. A onda é curta e repetitiva por natureza: recompensa quem já sabe o que quer fazer na parede e é ótima para treino de repetição, mas não reproduz a leitura e a variação de um pico de mar.
Como surfar aqui
Não é um parque: é condomínio fechado, e o acesso segue a lógica de condomínio. Surfam moradores, proprietários de lotes e seus convidados; quem não tem vínculo depende de convite, de hospedagem em imóvel de proprietário ou de eventos pontuais promovidos por marcas, atletas e escolas, que abrem vagas de forma esporádica e concorrida. Não existe day use aberto ao público geral com venda livre de sessão, e é honesto dizer que a rota mais comum para um surfista comum entrar ali é conhecer alguém de dentro.
ficha verificada em 2026-09-01 · specs marcadas com * são declaração do fabricante, não medição SURFPOOL
O que dizem
- Elogios recorrentes à baixa lotação e à qualidade da operação, quase sempre vindos de quem entrou como convidado (relatos de visitantes)
- Frustração aberta com a exclusividade e com a ausência de qualquer acesso pago ao público (fóruns e redes sociais de surfistas)
- Reconhecimento de que a lagoa virou base de treino e set de filmagem para atletas e marcas (imprensa especializada e vídeos de surfistas)