Boa Vista Village
Porto Feliz · SP — a PerfectSwell brasileira, dentro do resort residencial da JHSF

O veredito
Boa Vista Village trouxe para o Brasil uma escola de tecnologia diferente da Wavegarden. A PerfectSwell, da americana American Wave Machines, não usa um gerador que corre ao longo de uma parede: são câmaras pneumáticas dispostas numa das bordas, disparadas em sequências programadas, que somam ondulações e formam uma marola que só quebra ao encontrar a batimetria construída no fundo da lagoa. O resultado se parece mais com swell de mar do que com onda de máquina, e a consequência prática é que o mesmo tanque pode entregar formatos bem distintos apenas trocando o programa de disparo.
Na prática, é a tecnologia que os surfistas de alta performance mais desejam, porque permite rampas e seções de fechamento desenhadas para manobras aéreas — o padrão que ficou conhecido mundialmente pelas imagens do parque texano que usa o mesmo sistema. É uma onda de ambição competitiva, não de passeio, ainda que ela também consiga ser reprogramada para sessões mais suaves.
O contexto do empreendimento, porém, é o mesmo do resto do interior paulista: a lagoa é amenidade de um resort residencial de altíssimo padrão, num complexo que já tinha golfe, hípica e hotelaria como âncoras. O surf entrou no portfólio como mais um item de estilo de vida vendido junto com o terreno. É uma escolha coerente para o incorporador e frustrante para o surfista sem convite, e ajuda a explicar por que o Brasil tem tecnologia de ponta instalada e, ainda assim, quase nenhuma onda artificial de acesso livre.
A onda
A PerfectSwell gera ondulações por pulsos de ar em câmaras e as faz interferir entre si, de modo que a onda final é composta, não estampada — dá para variar altura, período, ângulo e formato da seção sem obra, só mudando a programação. Sobre um fundo desenhado, isso produz desde paredes longas e generosas até seções com rampa clara para manobra aérea e trechos que fecham como um beach break. É uma onda mais próxima da leitura de mar do que a Cove: exige posicionamento e escolha de linha, e recompensa surfista intermediário para cima; iniciante depende de configuração específica e de instrução.
Como surfar aqui
O acesso é restrito ao universo do empreendimento: proprietários, hóspedes da operação hoteleira do complexo e convidados. Não há venda aberta de sessão avulsa para quem não tem vínculo, e a via mais realista para um visitante comum é a hospedagem dentro do resort, quando disponível, ou o convite de um proprietário. Eventos fechados, treinos de atletas patrocinados e ações de marca abrem exceções pontuais que não constituem uma porta de entrada confiável.
ficha verificada em 2026-09-01
O que dizem
- Destaque para a variedade de formatos possíveis num mesmo tanque, ponto forte reconhecido da tecnologia (imprensa especializada)
- Comparações frequentes com o parque norte-americano que popularizou o mesmo sistema, sobretudo pelas seções de aéreo (vídeos de surfistas)
- Queixa recorrente sobre o acesso fechado, que mantém a onda fora do alcance do público (fóruns e redes sociais de surfistas)